Gerenciando a mesada dos seus filhos

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Depois de aprender alguns conceitos básicos sobre finanças, percebi que não adianta muito se as outras pessoas ao seu redor não estiverem alinhadas com vocês.

O brasileiro tem um péssimo senso de educação financeira. Sabia que o parcelamento de compras no cartão de crédito só existe aqui? Que poupança, consórcio e títulos de capitalização não são investimentos? Que cartão de crédito e cheque especial não são uma extensão do seu dinheiro e sim um empréstimo?

Ensinar o seu filho a entender como funciona o mundo das finanças é a melhor coisa que você pode fazer pelo futuro dele.

Por que dar mesada?

Seu filho precisa se acostumar com a ideia de que dinheiro é algo bom e é algo a ser gerenciado, do mesmo modo como fazemos na vida adulta. E que má decisões, impulsividade e negligência vão afetar o modo como ele consome as coisas.

Tipos de mesada

São 3 os métodos mais conhecidos de mesada:

Mesada incondicional

Na mesada incondicional, a criança recebe o dinheiro combinado independentemente de punições, bônus, se fez ou deixou de fazer tarefas pedidas. É o mais parecido com um salário fixo mas sem a exigência do trabalho feito.

Mesada por tarefas

Nesta modalidade, a criança precisa fazer algumas atividades pela casa (ou escola) para poder “merecer” a mesada. Em geral, o pagamento é proporcional ao trabalho da criança. O lado ruim é que exige um acompanhamento constante do que foi feito ou não. É como o salário de um autônomo.

Mesada híbrida

É uma mistura dos dois tipos. A criança tem um salário base que vem com uma série de tarefas a serem feitas. Se não as fizer, tem um corte no salário, se fizer tarefas adicionais que apareçam, ganha bônus. É como o salário de alguém que lida com comissões.

Quando começar a dar mesada?

Quanto mais cedo melhor. A partir dos 4 anos, as crianças já podem entender os conceitos de custo, compra e recompensa. Adolescentes acima de 16 a 18 anos já devem ser incentivados a encontrar uma forma de ganhar dinheiro, mas podem receber uma ajuda de custo.

Quando dar?

Você pode estabelecer a frequência conforme o seu próprio salário ou como preferir. Para crianças no ensino fundamental, uma mesada semanal é melhor.

Quanto dar?

Para os menores de 10 anos, você pode dar de 1 a 2 reais por ano por semana. Exemplo: uma criança de 8 anos receberia 8 a 16 reais por semana, resultando em 32 a 64 por mês.

Você pode usar o indexador que desejar. Estou considerando usar o salário mínimo este ano: 1% * a idade da criança.

(Salário mínimo / 100)*idade

Antes de estabelecer um valor, lembre que a mesada deve ser um reflexo do nível financeiro da sua família. A mesada não deve causar um rombo no seu orçamento.

Como eu faço na prática?

Optei por criar minha própria estratégia depois de assistir a alguns vídeos do Bruno Perini e Gustavo Cerbasi. Ainda estou aperfeiçoando o método.

Quanto?

Meus filhos têm 11 e 13 anos e hoje recebem R$ 100,00 por mês, todo dia 01. O recebimento por enquanto é virtual porque perdi completamente o hábito de sacar dinheiro.

Mas isso é algo que quero mudar. A “dor” de ver o dinheiro sendo gasto é um item importante na educação financeira. Isto some completamente quando usamos meios virtuais (crédito e pagamentos online).

Gerenciando a mesada dos seus filhos 1

Para isso, criei uma conta no Organizze (gerenciador de finanças pessoais — excelente e assunto para outro post) com duas contas do tipo poupança. E lá eu configurei para lançar um pagamento recorrente no valor da mesada.

Assim eu gerencio melhor quanto eles têm em conta.

Mamãe Financeira & Investimentos ou Família CBS Bank

Ao receber a mesada ou a qualquer momento, eles podem “mover” os recursos para uma poupança virtual que tem rendimento de 10% ao mês (rendimento diário, não precisa fazer aniversário como poupança).

A “aplicação” não é automática, eles precisam solicitar verbalmente a decisão.

Do mesmo modo, eles podem solicitar empréstimos. Podem comprometer no máximo 100% da próxima mesada. Os juros? 20%. Empréstimo tem um custo alto e eles precisam perceber isso.

A ideia é incentivar os investimentos e mostrar os custos das dívidas. As taxas de rendimento e juros são irreais no mundo financeiro de verdade, é apenas para facilitar o cálculo.

Para gerenciar isso, você pode usar uma planilha (posso compartilhar se quiserem) ou o FirstKidBank.com. É uma pena não ter encontrado nada semelhante em português.

Vou ver se faço algo usando o Airtable para compartilhar aqui.

Considerações

Eles estão aprendendo a usar o sistema à favor deles. O mais velho deixou o dinheiro “investido” até conseguir o que queria depois sacou junto com um empréstimo. Tudo isso para driblar o limite de compra dele.

Já o menor, gasta o mínimo possível e deixa o resto investido. Ele assiste alguns vídeos de finanças comigo e quer investir de verdade.

Também estimulei cada uma a definir uma meta para o dinheiro investido. Um optou por um Nintendo Switch e o outro por um óculos realidade virtual. Até o fim do ano, eu deixo vocês a par disso.

E menor pode investir, sabia? Vamos falar da Genial investimentos ainda esta semana, logo depois de falarmos sobre como criar uma conta corrente para menores.

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